Invasão de lagos ameaça cadeia produtiva na região de Parintins

Comunitários estimam que cerca de 30 toneladas de pescado de diversas espécies são capturadas pelos invasores

Noticia Atualizada em 12/10/2017
Invasão de lagos ameaça cadeia produtiva na região de Parintins
Foto: Fernando Cardoso

Lagos e rios estão sendo saqueados com a pesca predatória favorecida pela seca. A denúncia parte das populações ribeirinhas do município alertando que os órgãos que mantém a competência ambiental realizem ações de combate aos ilícitos praticados contra o recurso pesqueiro e quelônios.

 

Moradores da área de proteção ambiental do Macuricanã denunciam que espécies de peixes, botos, quelônios e animais silvestres estão sendo alvo fácil dos predadores.

 

Um agente ambiental voluntário que preferiu manter o nome no anonimato informou que os invasores de lagos e pescadores ilegais aproveitam a seca na área de preservação para cometer os ilícitos ambientais.

 

“O recurso pesqueiro e os quelônios estão sendo retirados de forma desordenada sem que haja fiscalização para impedir esse crime, isso vai prejudicar a cadeia produtiva”, alertou.

 

Os comunitários estimam que cerca de 30 toneladas de pescado, entre eles, o pirarucu, tambaqui, tucunaré e mapará já foram capturadas pelos invasores.

 

Segundo os ribeirinhos, a pesca predatória e as práticas ilegais contra o recurso pesqueiro também estão sendo vivenciadas na região dos conhecidos lagos Grande e Buiuçu.

 

A exploração predatória nesses lagos é a maior preocupação dos ribeirinhos. Eles cobram dos órgãos de proteção que os recursos pesqueiros sejam usados de uma forma sustentável, evitando a pesca predatória e danos ao meio ambiente.   

 

Esse é um período que as pessoas iniciam a pesca predatória, mas os ribeirinhos sabem que os ilícitos nessas áreas de maior concentração de pescado só serão combatidos se todos os seguimentos estiverem unidos.

 

“Não adianta um querer fazer, todos devem colaborar para acontecer se não as coisas vão continuar da maneira que estão. Pra nós vai faltar peixe porque essas invasores vão migrar para outros lagos, quem fica com o prejuízo somos nós”, protestou o pescador Miguel Almeida.

 

Em áreas de preservação, alguns conflitos estão sendo verificados entre pescadores, moradores e ambientalistas, devido a utilização dos recursos naturais e pesqueiros de forma predatória.

 

Alguns agentes ambientais voluntários que moram nas comunidades mais distantes do município tentam impedir a invasão nos lagos e a captura de pescados, quelônios e animais silvestres, mas são ameaçados de agressão e morte, inclusive, até mesmo por alguns moradores das próprias comunidades.

 

Competências a parte, nesses locais segundo os ribeirinhos é ausente a Secretaria de Municipal de Meio Ambiente (SEMMA), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente dos Recursos Naturais e Renováveis (IBAMA), Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM) e Centro Estadual de Unidade de Conservação (CEUC), os quais alegam não ter estrutura para executar operações de combate aos crimes ambientais nas áreas protegidas, de reprodução, conservação e proteção.

 

“Não adianta mais elaborar propostas para preservar os lagos e rios, principalmente os que não são de pesca comercial. É preciso agir, se não o mais cedo que pensamos vamos sofrer as conseqüências”, alerta o pescador Aldenor Coelho do Paraná do Espírito Santo.

 

Fernando Cardoso | Repórter Parintins