Embrapa de Parintins realiza dia de campo voltado para pecuária

Noticia Atualizada em 11/10/2017
Embrapa de Parintins realiza dia de campo voltado para pecuária
Foto: Fernando Cardoso

O Núcleo de Apoio à Pesquisa e Transferência de Tecnologia Agropecuárias para o Baixo Amazonas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), promove no dia 27 de outubro no Parque de Exposição Luiz Lourenço de Souza, um dia de campo, que visa trabalhar o sistema de pastagem e lagos de uso múltiplos como forma de incentivar a criação de peixes e irrigação de capineiras.

 

Estarão presente técnicos da Federação de Agricultura do Amazonas, do Senar, Associação dos Pecuaristas, Secretaria Municipal de Produção, entre outros, quando estará em pauta as discursões sobre a Produção de Volumosos e Sistemas Integrados na Pecuária para convivência com a seca.

 

O coordenador do Núcleo da Embrapa, o engenheiro agrônomo Jeferson Macêdo, explica que o setor pecuário e produtivo do município precisa trabalhar com a produção de volumosas alternativas para conviver com o período de estiagem (seca) como forma de minimizar as percas que acontecem no período da seca.

 

“É necessário investir na produção de volumosas alternativas, não só contar com a pastagem natural ou plantada, é preciso formar campineira com cana, camerom, capim elefante e outros”, ressaltou.

 

O agrônomo adianta ainda que será feito uma amostra da produção de feno, silagem e a utilização da cana-de-açúcar com ureia para suplementação de bovinos na época da seca na região.

 

Para Jeferson Macêdo está mais que na hora os setores pecuário e produtivo buscarem novas alternativas de sistemas integrados para não serem mais surpreendidos com as fortes estiagens, as quais trazem prejuízos incalculáveis para pecuaristas e produtores.

 

“Desde 2015 a estiagem vem castigando a produção agrícola e a pecuária no município. É preciso que os produtores e pecuaristas comecem a desenvolver o sistema alternativos nas propriedades rurais e fazendas evitando a perda das plantações e comprometimento nas atividades da pecuária”, salientou.

 

Macêdo informou que a Secretaria Municipal de Produção e Abastecimento (SEMPA), busca junto a Sepror a aquisição de um maquinário que faz a abertura de lagos de uso múltiplos para a criação de peixes e formação de capineiras.

 

O gerente do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam), Lucivaldo Pereira, também avalia que é preciso o uso de outros processos alternativos no setor pecuário e produtivo como forma de driblar os efeitos das estiagens.

 

“Quem utiliza as áreas de várzeas como escapatória para preparar os seus animais pra abate hoje está tendo dificuldades porque com as grandes enchentes a água demora um pouco pra baixar e o gado já chega bastante debilitado nas várzeas, e quando você coloca os animais, as várzeas estão sem pastos e não tendo pasto o gado vai custar a se refazer e engordar”, comentou.

 

Lucivaldo diz quem vem observando que o pecuarista está migrando para a criação do gado leiteiro, deixando de lado o gado de abate por conta das estiagens que castigam demais os animais, inclusive, as vezes não conseguem chegar ao mercado para abate porque não conseguiram a engorda.

 

“Isso tem aumentado os custos no setor pecuário, então a gente acredita que dentro de cinco anos vamos ter um equilíbrio entre rebanho de leite e rebanho de corte”, ressaltou.

 

O município de Parintins a quase uma década perdeu o status de maior criador de animais bovinos para Boca do Acre, que hoje, segundo a ADAF conta com 345.207 animais bovinos e bubalinos.

 

Para um pequenos produtor que preferiu ter o nome preservado, é preciso que o Município e o Estado olhem o pequeno criador, ao invés de olharem só os grandes pecuaristas, principalmente com a disponibilização de maquinários.

 

Ele alerta que não é somente os fenômenos naturais (estiagem e enchente) que fizeram reduzir o número de animais no município parintinense, mas um grande parte de pequenos produtores e ribeirinhos que contribuíam em cuidar dos rebanhos (as sociedades) dos grandes pecuaristas estão desaparecendo, contribuindo com a queda no número de animais.

 

“Com a diminuição deles houve uma redução nos rebanhos. Temos exemplo de alguns grandes criadores que extinguiram os seus rebanhos, outros não quiseram mais manter a sociedade com o pequeno que criava e cuidava dos bezerros e gado para engorda, por isso que diminuiu grandemente o nosso rebanho” comentou.

 

No evento da Embrapa com apoio de parceiros, os produtores vão receber novos conhecimentos e abordagens em estações como: Sistema de Integração Lavoura, Pecuária e Floresta, Desempenho de forrageiras tropicais e produção de feno para suplementação volumosa, Utilização da Cana-de-Açúcar com ureia para suplementação de bovinos na época seca e Avaliação de cultivos de Capim Elefante e produção de silagem por orientadores técnicos do Instituto Federal do Amazonas (IFAM), da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e Embrapa.

 

Fernando Cardoso | Repórter Parintins