Todo costume, numa sociedade, se transforma em Lei

Noticia Atualizada em 25/09/2017
Todo costume, numa sociedade, se transforma em Lei
Foto: Arquivo Pessoal

Tadeu Garcia *

 

Assim em Parintins e no GARANTIDO se tem, pelas disputas, o espírito irreverente de o vencedor zoar os adversários, seja em eleições partidárias, comunitárias, associações de bairros, competições esportivas e, principalmente, em eleições  bovinas.

 

O resultado é uma comédia, cujo elemento de FICÇÃO é uma grande embarcação que abriga, tão somente, aqueles inconformados por uma derrota que sempre será circunstancial pois logo termina o mandato e virá novas eleições vibrantes, típicas do mundo da paixão. 

 

Logo após o Estado Novo, iniciado em 1930, surgiram eleições municipais. Em Parintins a família Belém, tinham um DNA político de vitórias e, sempre convocava a todos para se unir e colaborar superando e respeitando as diferenças.  

 

No entanto, uma minoria radical e recalcitrante, não atendia ao apelo civilizado e continuavam a manifestar seus dissabores do insucesso, desejando a nova gestão toda a desgraça  possível.

 

Assim, o avô  do grande prefeito  Gentil Belém  construiu essa ficção, depois adaptada por toda a Amazônia, em que, aos inconformados, era dada a  chance de sair do lugar que seria infernal através  de uma embarcação para uma atividade produtiva de extração  da balata. Dessa espécie extrai-se o látex que permite a formação do chiclete enquanto substância que mantém a boca ocupada e traz relaxamento  aos pensamentos.

 

Então, aos  adversários  inconformados era dada a chance de se afastar das suas discordâncias improdutivas  até ter nova chance de disputar a próxima  eleição democraticamente. 

 

Então virou uma das maiores peças da Mitologia Amazônica adotadas pelos vencedores e que evolui com o tempo: no início um batelão descoberto impulsionado por barquinho de 4HP. Hoje o surrealismo é a balsa motorizada de 600 HP com camarotes e módulos abrigados segundo a polemização temática :  gênero,  opção  sexual,  indigenismo, ambientalismo, etc.. etc.

 

Assim, esse folclore do Balatal não pode ser perdido, menosprezado e subjugado. 

 

Aos adversários que querem ser participativos são  dados encargos nobres que revelem a sua real capacidade do que tanto  reclamou, divergiu  e saiu do campo teórico  do falatório para a prática  das soluções  coletivas.

 

O barco do Balatal vai sair do Porto do adversário, pois o Trapiche do Garantido  está,  momentaneamente,  ocupado por botos vermelhos, iaras caboclas, filhas  do manpiguari, etc. que  vão  fazer festa até  24 horas após  resultado. 

 

O costume é a nossa lei maior, a tradição é a nossa legitimidade!

 

Por isso, a beira do rio um torcedor  acredita que: SIM, NÓS  PODEMOS GANHAR DE 3 X 0 e não vamos - nunca  - deixar nosso verdadeiro chegar perto de um empate.

Todos somos vencedores!

 

* Poeta, compositor, escritor, funcionário público aposentado, técnico agropecuário e economista